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domingo, 8 de março de 2015

TENHAM SAL EM SI MESMOS


Está terminando o inverno no Canadá e te digo: “é fria”. Vi coisas que você não viu: casas e carros cobertos pela neve depois de uma tempestade, ainda bem que  foi bem longe da região  onde estou.

Realmente a experiência inesquecível com o inverno no Canadá é a neve. Muitos lugares frios não nevam. Vê-la nas férias, fazer um boneco de neve com a família como no inverno passado, estando aqui em férias é uma coisa. Tira-la todo dia da frente da casa, do quintal e da calçada, depois de interessante é entediante. Mas não é difícil quando tira logo que cai, ou logo de manhã. Se deixar para muito depois, a história muda. 

Agora no final da temporada de neve, aprendi algo especial, lendo o texto onde Jesus exorta: “tenham sal em si mesmos” (Mc.9.50 b),  com esta experiencia. Por que se tiro logo a neve, é fácil, mas  mesmo assim, sempre fica um resíduo. Quando começa a esquentar (leia-se quando beira a 0 grau), ela vira gelo com uma camada fina e perigosa e aí, é hora de escorregar e cair. Tem que espalhar sal se você não quer cair e cair. Se outra pessoa cair no perímetro de sua casa, é sua responsabilidade.

 Parece o pecado. Vai ter sempre em nossa volta, vai nos afetar e temos que tira-lo logo. É entediante depois de um tempo por que por mais que você não queira a neve cai na sua calçada. Você limpa, mas o resíduo depende de sal. Jesus ensina muito sobre ele, mas aqui a ilustração confirma que temos que manter um sal - uma escolha, uma atitude muito firme -  senão vamos cair.  O mundo jaz no maligno. O pecado bate em nossa porta – como na conversa do Criador com Caim. Cumpre a nós domina-lo.

A neve é linda. O pecado, via de regra se apresenta assim também, mas “é fria”, A neve apenas no inverno em alguns lugares, o pecado, em todas as estações em todos os lugares.

Tenham sal em si mesmos!  

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Falar a Língua do Outro


FALAR A LINGUA DO OUTRO
Esta é uma das afirmações que mais repeti ao longo do tempo enquanto ministrava aos casais nas últimas duas décadas: "você precisa aprender a falar a língua do outro". E argumentava sempre com muita propriedade, afinal, o outro vem de outra família, outra cultura, pais tão diferentes dos nossos, isto quando tiveram contato com eles.
Nenhuma família é igual. O que para o outro parece tão exagerado, para mim esta de bom tamanho. O que para outro é muito alto, é exatamente o som que me estimula o aprendizado e por aí vai.
Mas eis que este princípio me ataca literalmente! Estou aqui no Canada e digo pra você que só agora sei o quanto este negócio é difícil. Para você ter uma ideia o título do livro que acabei de ler - e te garanto que se ele não fosse ilustrado não teria sido fácil - é: "O Natal dos três ursinhos".
A impressão que dá é que o "outro" complica tudo. Por que eles põem o adjetivo primeiro? Para que tanto "Do" antes dos verbos? Já que tem o "Do" para que o "Did"?
Mas eu não vim aqui para transformar a língua ou a cultura do outro assim como eu não me casei para adoecer minha esposa com a minha maneira de pensar como se fosse a única ou muito menos a melhor. Vou reler meu livrinho sobre "The Three Bears Christmas". Espero com isto aprender algo mais sobre meus relacionamentos.
God Blessed you!
Cleydemir

 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

SOLIDÃO

SOLIDÃO
“Quem se isola busca interesses egoístas e se rebela contra a sensatez” (Pv.18.1 NVI)
Foi a primeira pessoa que conheci no Canadá. Não posso dizer que o conheci realmente pois não falo sua língua (ainda) e com muito dificuldade trocamos algumas frases. Afinal, comunicação é mais que palavras. Você não acredita que eu vim sozinho trazendo uma Romena – sexagenária, primeira vez no Brasil, ilustre senhora muito amável, sogra do missionário Valtemir - do aeroporto de Confins até Ipatinga e o silencio não teve chance entre nós? Nada sei muito do que ela falou e vice-versa, mas nos comunicamos. Tive dela uma ótima impressão e acredito que ela de mim.

Mas o meu novo “amigo” é uma pessoa solitária. Não é Canadense mas é de um país também de primeiro mundo. Aos 67 anos mora em uma casa de estranhos em um quarto alugado. Não fica muito tempo em uma mesma locação por que não consegue se relacionar bem sendo convidado a se retirar, posição que ocupa neste momento. Fica no quarto toda a semana e sai de casa a cada 15 dias para ir ao supermercado. Neste intervalo é que pude vê-lo algumas vezes. Desce a cada dois dias do quarto e vai a cozinha da casa onde mora, prepara alguma coisa que as pessoas da casa não conhecem e volta para o quarto. Tem três filhos mas passou sozinho o natal e o ano novo.

Qual o problema disto? Eu não vi nenhum por que nos países ricos idosos morarem sozinhos é comum mas o texto sagrado, no livro atribuído a um  dos homens mais sábios de todos os tempos acha que sim. A psicologia também. Uma das características mais importantes de um diagnóstico de doença emocional é a incapacidade e mínima intenção de uma pessoa se relacionar.

Olhando para o texto como base, acredito que este processo não acontece da noite para o dia. No princípio, antes da solidão se instalar, esta pessoa buscou interesses egoístas. Tomou decisão que não validou cônjuge, não considerou os filhos como pessoas importantes, não foi grato com os parentes como se precisasse de ninguém. Mas são eles que nos amparam na necessidade e nos sinalizam caminhos menos solitários.

Outra dica do texto fala sobre a maior das rebeliões. A rebelião é contra a sensatez. Ela se manifesta na falta de humildade e na sensação que é melhor do que o outro. Ela se manifesta na indisposição de pagar um preço por uma amizade e companhia pois elas  tem cotação altíssima. O preço justo de investimento, cuidado, respeito e atenção com os que amamos não pode ser pago a prestação. Tem que ser a vista e em espécie. Não pague mais caro mas não tente fazer liquidação de bens tão valiosos e raros. Submeta-se por que vale a pena.


Se ele aprender português e ler o meu texto, vai saber que me preocupo com ele. Desejo-lhe saúde, em qualquer lugar do mundo em que estiver, a voce também!
!

sábado, 3 de janeiro de 2015

TRANSIÇÃO – ÚLTIMO CAPÍTULO

O melhor e mais divertido filme sobre este assunto é A VIDA SECRETA DOS BEBES, em que o diretor imagina os seres humanos antes dos 2 anos de idade, como tendo todo o conhecimento do universo mas sem poder comunica-lo verbalmente com os adultos por que a única coisa que não sabem é falar. A transição entre não falar e falar é tenso, por que eles desejam se comunicar com os pais que os amam, mas não querem perder aquele potencial de conhecimento e intimidade que eles tem entre si. Além disto eles tem um inimigo. Querem roubar o segredo do conhecimento infinito que está ligado a unidade deles.


O filme é divertido mas a transição não. Ela é uma quebra de paradigmas. Aliás o primeiro livro que li junto com a igreja a 12 anos atrás chama QUEBRANDO PARADIGMAS, do pastor Ed Rene Kivitz  que aponta a nossa dificuldade com as mudanças naturais que Deus quer realizar no Seu Reino. Uma das mais saudáveis mudanças na vida da igreja é a sucessão pastoral.  Tem coisa que só vai fazer através de outro pastor e é importante que seja feito. Findando este processo que é muito doloroso, sei que será benção para a igreja. Pensando no filme, criamos coragem mudar para outra fase. Não tem época mais linda que a primeira infância. Mas lá somos inocentes demais. Agora não somos mais inocentes (demais), mas temos que manter-nos puros. (Mt.5.8). Não tem época de mais crescimento que a infância, mas lá tínhamos que comer papinha. Crescendo o alimento é mais sólido (Hb.5.12-14); lembrando que no contexto de igreja sempre haverá crianças e sempre tem que ter quem cuide delas e saiba preparar leite gostoso.

Mas em uma transição se dependermos de Deus, como tentamos fazer juntos, olharemos para trás sempre com orgulho, lembrando das lições que recebemos e para o futuro com a convicção de que “quem começou a boa obra é fiel para completá-la” (Fl.1.6) em sua igreja. E assim viveremos, um dia de cada vez, no exercício de nosso sacerdócio universal, cada crente um ministro do Deus vivo; celebrando cada dia, com temor diante do Deus Eterno; como o sal da terra -  temperando os ambientes em que vivemos - certos de que Ele cuida de nós.

Nossa gratidão a Deus e à PIBANI - Primeira Igreja Batista Nacional de Ipatinga -  por estes doze anos de caminhada juntos. Nosso orgulho por termos crescido e já não sermos mais bebes. Nossa oração para que tenham um tempo novo, em uma fase nova da vida, pois há muito mais em Deus para vocês.

Com carinho,

 Cleydemir  e Socorro


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

MELHOR O NATAL OU O ANO NOVO?

HORA DE DEUS – MELHOR O NATAL OU O ANO NOVO?

quase já terminou o ano e estamos a poucas horas do Natal. Alguém sabiamente elogiou quem dividiu o tempo dizendo:

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”

Anos,  meses, dias, horas, segundos, realmente facilita para encarar a vida. Definir etapas sem esta possibilidade é difícil, a não ser para o Criador que sabe exatamente a hora de tudo pois disse:
“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.
E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai”.
Gálatas 4:4-6

Há 12 anos estou com a mesma turma, juntos a cada natal,  celebrando a sabedoria de Deus, anunciando que este tempo de plenitude ainda é presente, ainda é possível, ainda é para você e para mim. Ele nasceu na hora exata, nem antes nem depois. Ele não industrializou a esperança ele gerou em si mesmo a nossa vida com Deus por que os pontos nós já havíamos entregado quando pecamos. O tempo que se passa sem objetivo é tempo perdido. Na realidade o milagre da renovação que o poeta sugere não acontece no Ano Novo. Acontece no Natal. Acontece com a nossa entrada neste tempo de plenitude inaugurada em Jesus.

Me confunde se o portal para este tempo é a gruta/estábulo de Belém, onde o Menino Deus repousou ou a Cruz - uma marca que aponta para o céu enquanto outras duas hastes na horizontal, como um braço aberto para o novo tempo  - Que apontam  para o mesmo personagem. Enquanto te escrevo acabou a dúvida: nem a gruta nem a Cruz mas A pessoa  que os ocupou por uma pequena fatia de tempo. Tão pouco tempo na estrebaria, tão pouco tempo na Cruz, falam de tão grande humilhação pois era o próprio Deus despindo-se de sua glória e Majestade para “tabernacular” conosco.


Hoje é tempo de começar seu tempo de plenitude. Ainda há tempo e ainda há esperança. Neste mundo tão perverso e mau, nada muda a Graça de Deus. Que os próximos, até que Ele venha, estejamos em plenitude diante dEle.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

FIDELIDADE NA MEDIDA

“Mas não nos gloriamos além da medida...” (2 Cor. 10.13 a)

Deus me permitiu um sonho de quando me casei: conhecer Manaus. Na época não o realizamos por falta de dinheiro – estivemos no Pará e não pudemos chegar lá. Vinte e cinco anos depois, vimos o outro lado da floresta amazônica, onde a crise de água é sempre por excesso. Uma coisa especial para quem vive nas águas é lidar com os limites. Saber os limites que ela vai chegar na época da chuva e saber o quanto ela vai baixar na seca. É uma face de fidelidade. Viver respeitando o limite, conhecendo o limite, respeitando a força, usufruindo das possibilidades.

Na nossa vida espiritual temos uma “medida em Cristo”. Um limite de influencia que Paulo nos esclarece. Aponta para a Fidelidade a Deus. Neste caso, quer dizer: “minhas afeições estão reservadas somente para Ele e que meus olhos estão sobre Ele como única fonte de minha salvação e ajuda. Mas também quer dizer mais uma coisa para mim: Fidelidade a Deus que dizer que nunca violarei a Medida de Cristo”  (Bob Sorge – O  resgate da Cultura da Lealdade)
O autor afirma que Cristo tem uma medida – como as águas do Rio Amazonas que só existe por que dois rios se juntam: o Rio negro e o Solimões e no encontro das águas, por 12 km no barco, pudemos ver as duas águas, duas cores, duas temperaturas, duas velocidades, dois universos se juntando ali, formando a grande força e medida do rio Amazonas que vai triunfando até o mar.

Dois aspectos importantes dentro da medida de Jesus: o primeiro é a sua glória. A humanidade será redimida “para o louvor da sua gloria" (Ef.1.12). ninguém pode posar de bonito neste drama, por que no fim tudo é de Jesus Cristo. O segundo aspecto é que dentro da medida de Cristo está a afeição de sua noiva. “aquele que tem a Noiva é o Noivo”, declara João Batista (Jo 3.29) em uma parábola onde Cristo é o Noivo, a igreja é a Noiva e a liderança (pastores, pregadores, etc) são amigos do noivo.

A tentação para a noiva, é colocar os olhos no amigo. Os amigos fiéis, sempre resistirão à tentação de flertar com a Noiva, pois não serão mais amigos de Jesus mas concorrentes. Maior medida será dada ao amigo verdadeiro que em sua conduta não infringe a medida de Cristo, Sua glória e Seu lugar diante da Igreja. Ele mesmo recompensará. Como o Rio Amazonas que da água, vida, alimento, a quem respeita seus limites e o trata com admiração e confiança!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O CASAMENTO E OS ABSURDOS DA VIDA.

“O cordão de três dobras não se quebra com facilidade...” (Ec. 4.12b)

Incrível esta expressão otimista vir de um texto tão pessimista como o livro de Eclesiastes. Ele não fala especificamente do casamento mas tem nele um princípio que nos fará bem sucedidos em todas as empreitadas da vida, por que nenhuma delas Deus nos chamou para realizarmos sozinhos. “Não é bom que o homem esteja só”, é uma declaração de Deus para si mesmo, não apenas em relação ao casamento mas a condição humana.

O contexto nos mostra uma insensatez estúpida - outras versões chamam de vaidade: “havia um homem totalmente solitário que... seus olhos não satisfaziam com sua riqueza.  Ele sequer perguntava: para quem eu estou trabalhando tanto?” (8) Ele não era solteiro, era solitário!

“É melhor ter companhia do que estar sozinho” (9), porquê?

1. “Maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas”. Esta resposta do sábio aponta para nossa busca de realização. Salário, lucro, construção, reconhecimento. Dois salários é melhor do que um. Mas temos que ver qual é o melhor salário...

2. "Se um cair, o outra ajuda a levantar” (10), aponta nossa fragilidade. Somos débeis, não damos conta sozinhos. A queda é inevitável quando caminhamos só, principalmente se você é casado.  Lembra quando acorda com a perna dormente?

3. "Se dormirem juntos vão manter-se aquecidos!” (11). O texto me lembra duas coisas importantes: lazer e intimidade. Mas lembra também o pobre.

4. "Um homem sozinho pode ser vencido ”(12) nos lembra que temos inimigos. Os dois mais importantes: o diabo e depois nós mesmos.

Depois ele faz a fantástica declaração: “O cordão de três dobras não se rompe com facilidade”. Mesmo sendo dois, podemos não nos aquecer, perder uma briga, cair e não ter força para levantar, ter mês sobrando no final do salário. Então ele traz a expressão mais otimista! Temos o recurso! A terceira dobra! O que nos faz quase invencíveis!

Neste contexto Jairo e sua esposa, (Lc.8) foram até a terceira dobra e a filhinha foi curada. Imaginem Noé e sua Esposa, sem a terceira dobra? Teriam perecido com aquele mundo imundo que Deus destruiu.  Os pais de sansão, não seriam os pais de Sansão se não recorressem à terceira dobra, e não suportariam os problemas que o filho lhes trouxe depois, não fosse a Terceira dobra e poderia citar tantos outros exemplos.


Mas tem vez que temos que sozinhos ao Senhor, a Terceira dobra do cordão. Paralelo à história de Jairo, uma mulher veio sozinha. Tocou em Jesus. Trouxe a existência coisas que seu marido não podia lhe dar. Há virtudes que só vem de Deus, então não espere de seu marido ou de sua esposa. O quesito melhor do que estar em companheirismo e cooperação que o autor sugere neste capítulo só é superado quando ele fala de Temer ao Senhor, no final do livro. Não temer o Senhor é uma estupidez insensata e tentar viver só é uma insensatez estúpida. Sejam fortes. Elogiem-se um ao outro, aqueçam-se um ao outro, enriqueçam-se um ao outro. Fortaleçam-se um ao outro buscando pessoalmente virtudes em Jesus. Temam ao Senhor como casal, mas busquem em separado, fazendo cada um a sua reserva de força espiritual. Sendo assim, serão invencíveis, Serão felizes, e isto, no presente século é um absurdo. Deus os abençoe!

Espaço de reflexão psicoteológica, visando a saúde dos relacionamentos e o fortalecimento da família!